segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Saudosismo e violência: o caso dos grupos de extermínio em CG


Ver documentário sobre o Grupo de Extermínio "Mão Branca" de Campina Grande-PB: http://vimeo.com/67347909



Há poucos dias atrás, vi nas redes sociais circularem mensagens entusiasmadas de "retorno ao Mão Branca" em decorrência dos reiterados casos de violência urbana em Campina Grande (principalmente após o registro de assaltos e arrastões em restaurantes e bares frequentados pela classe média campinense), o que de fato é preocupante ...

O documentário abaixo ilustra aspectos do real sentido deste Grupo de Extermínio que existiu em Campina Grande entre 1978 e 1982, o Mão Branca não é um movimento armado típico do contexto atual, por isso, aos saudosistas vale lembrá-los que a historicidade não se repete nos mesmos termos e conjunturas atuais. Os milicianos de hoje não se alimentam do sentimento de "caudilhismo travestido do manto da justiça", mas de um conjunto de interesses difusos. Afinal, o tráfico de drogas de hoje em Campina Grande não é o mesmo da década de 1980, nem o policial naquela época se submetia a fazer "bico", por exemplo, como, segurança particular ou como moto taxi, para complementar sua renda.

Influenciado pelos grupos de extermínio das décadas de 1960-1970 do eixo Rio - São Paulo, o Mão Branca aparece historicamente marcado pela ideologia da Segurança Nacional, normativamente sob os auspícios do Decreto-Lei de 1969, vigente durante o período ditatorial, pelo qual as polícias adquiriram competência para executar "os suspeitos e os criminosos" com exclusividade, sem a práxis do princípio do contraditório e da ampla defesa (audiatur et altera pars, isto é, “ouça-se também a outra parte” - Art. 5° LV da Constituição Federal de 1988). Essa "legalização" de fazer justiça com as próprias mãos, remete a criação dos decretos de promoção por bravura na Polícia Militar, bem como na política da Política Civil a partir de 1964. Leia-se à época: "matar bandido merece condecoração/promoção". A violência criminal acabou justificando ou influenciando a criação dos esquadrões da morte na Polícia Civil no final da década de 1960 e décadas seguintes.


O saudosismo de parte da população para o retorno de esquadrões da morte, como forma de "limpeza criminal" é evidencia do vazio político sobre temas estruturais.