sábado, 27 de novembro de 2010

LÁGRIMAS QUE SE TRANSFORMAM EM ESPERANÇA




















“Neste momento de tristeza em que me vejo,
quando a saudade irrompe minhas entranhas
fazendo perder os meus sentidos,
sem ter o chão onde pisar
e quando as nuvens somem do céu,
é o momento que me chega na alma
as lembranças em vestes brancas da esperança
e os olhos repletos de razão e calma
com os momentos e lições de uma vida,
dedicada à perpetuidade de um legado eterno.
Já que as lágrimas acompanham minha doce mãe em sua viagem,
que fique em mim sua presença celeste de protetora determinada,
com lições de ética e beleza,
pois se enquanto ser me foste fiel em vida,
quanto mais na eternidade enquanto ente sóis minha fortaleza!”

(‘Lágrimas que se transformam em esperança’ por Marcelo Eµfrasıø em 26.11.2010)


Para pensar sobre minha amada mãe que ressuscita todos os dias como o raiar do dia em minha memória e nas minhas esperanças, trouxe um pequeno poema que produzi na madrugada, quando o silêncio é o maior de todos os filósofos. Como diria Dom Helder Câmara: “Quanto mais negra a noite, mas carrega em si a madrugada”.


A “irmã morte” como refletida pelo medievalista e sapiente cânone São Francisco de Assis, dotada de todos os encantos no momento do desafio amoroso entre os apaixonados retratados na literatura romântica dos clássicos do lusitano Eça de Queiroz ao inglês William Shakespeare representa um momento pedagógico para os vivos, mesmo àqueles que em vida por vezes se encontram mortos. Entendo que a consubstanciação da metafísica “morte” que se configura como um dos momentos mais solenes, desafiadores e intrigantes da natureza dos entes vivos, pode ser compreendida como a reconfiguração (ou transformação) de um ser vivo perpassado na (in) materialização de um outro ser, ou melhor dizendo de um ente que surge em seus diferentes significados e sentidos filosóficos, semióticos e teleológicos.

Acerca da verdade que emana do ser que se abre para o mundo em seus diferentes valores e sentidos (e que se transforma mesmo com a “morte”) Martin Heidegger, filósofo alemão fenomenologo afirmou que: “A proposição é verdadeira significa, indica, “deixa ver” (apophansis) o ente em seu ser e estar descoberto. O ser – verdadeiro (verdade) da proposição deve ser entendido no sentido de ser - descobridor. A verdade não possui, portanto, a estrutura de uma concordância entre conhecimento e objeto, no sentido de adequação entre um ente (sujeito) e um outro ente (objeto). Enquanto ser – descobridor, o ser – verdadeiro só é, pois, ontologicamente possível com base no ser – no – mundo” (HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Petrópolis: Vozes, 1989).

Aquilo que somos enquanto ser vivo, na condição humana e animal, será a partir da “morte” revelado enquanto “ser – verdadeiro no mundo” constituindo o que somos em vida a partir de um legado historicamente deixado e representado em experiências, vivências, lições, sentimentos, desejos, construções materiais ou imateriais para os pais, filhos, netos, bisnetos, amigos, colegas, vizinhos, alunos, discípulos etc., uma representação que na “morte” significa a transfiguração metafísica e eterna da memória do que somos num outro plano. Afinal, celebrar a memória dos “mortos” é celebrar a vida deste ser (que agora se tornará ente) entre os vivos. Exemplo verdadeiro, nesse sentido, é Cristo ao desejar que homens e mulheres celebrassem sua memória viva, “fazei isto em memória de mim” (Evangelho de S. Lucas 22:19).

Na perspectiva antropológica diríamos que:

“O significado do fenômeno da morte não se esgota em sua dimensão natural ou biológica. Ela comporta, também, como qualquer fato da vida humana, uma dimensão social e, como tal, ela representa um acontecimento estratificado. Todos morrem - é certo -, contudo a duração da vida e as modalidades do fim são diferentes segundo as classes a que pertencem os mortos” (MARANHÃO, José Luiz de Souza. O que é espiritismo. Brasiliense: São Paulo – SP 1987, p. 21).

Na morte, então, há saudade e a vontade de ter outra vez aquele que se foi, fenômeno perfeitamente natural e compreensível, mas a certeza da retomada do afeto e dos projetos comuns no futuro é profundamente consoladora e faz com que a esperança possa ser tranqüila e confiante. O espiritismo defende em sua filosofia a partir das lições de Allan Kardec em sua obra ‘O Livro dos Espíritos’ que:

“A perda de pessoas que nos são queridas não é uma daquelas que nos causam um desgosto tanto mais legitimo por ser irreparável e independente de nossa vontade? Essa causa de desgosto atinge tanto o rico quanto o pobre: é uma prova ou expiação, é a lei comum. Mas é uma consolação poder comunicar-vos com vossos amigos pelos meios que tendes, esperando que, para isso, tenhais outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos”. (Livro IV, Cap. I. Questão 934. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de J. Herculano Pires – 8ª edição, 1914-1979).

Vamos considerar o sentimento de perda dos entes queridos, como sendo a metamorfose simbólica entre fé e racionalidade que aparece no momento em que se compreende o momento de transfiguração daquilo que é materialmente o ser, naquilo que já é metafisicamente um novo ser (representado nas possibilidades trazidas pelo ente).

É preciso ter esperanças numa vida nova para todos, os vivos e os mortos!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

I Congresso Paraibano de Políticas Públicas de Geração de Emprego e Renda


















Para pensar acerca das questões que perpassam a garantia dos direitos sociais no contexto do mundo, do Brasil e da Paraíba, a Universidade Estadual da Paraíba - UEPB, por meio do CASP do Curso de Direito realizará entre os dias 25 a 27 de novembro no Tribunal do Júri do Fórum Afonso Campos o I Congresso Paraibano de Políticas Públicas de Geração de Emprego e Renda, vale a pena conferir as palestras e exposições dos trabalhos.

Vários professores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e outros advindos da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e de Pernambuco (UFPE) já confirmaram presença, como palestrantes do evento, entre eles: Roberto Véras (UFCG); Michael Zaidan (UFPE); Hugo César (UEPB), Cláudio Lucena (UEPB); Raimundo Juliano (UFPE); Alexandre Salema (UEPB); Maria de Nazaré Tavares Zenaíde (UFPB); Guthemberg Cardoso (UEPB). O procurador da Fazenda Nacional, Seccional de Campina Grande, Dr. Arthur César de Moura Pereira, também se fará presente à ocasião.



Informações sobre as inscrições para o 1º Congresso Paraibano de Políticas Públicas de Geração de Emprego e Renda podem ser adquiridas através do e-mail abarrigudaarepb@gmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou pelos telefones: (83) 8809-1537 e 9653-6960.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Novembro "escuro" visto pelos olhares da Coruja!






















Nestes tempos nebulosos do início de novembro que já anunciam muitas sombras para 2011, percebo que há em tempos eminentemente "pós-modernos" uma dialética do tempo que funciona cada vez mais desafiadora e atribulada, afinal a humanidade está mergulhada no buraco das imensas palpitações do coração e da mente num mundo cada vez mais carregado de incertezas e medos, parecendo que o gênero humano primeiro age e depois pensa sobre tudo a sua volta.

Por isso mesmo, para pensar acerca do mês de novembro como a ultima possibilidade de salvação da alma humana, que está no purgatório nebuloso se preparando para o ano de 2011, achei por bem trazer a filosofia (idealista) do direito de Hegel que vai até os tempos da antiguidade clássica para acalmar os homens ansiosos afirmando ele que: "A Coruja de Minerva só levanta vôo ao entardecer”, ou seja, em tempos de incertezas frente a emergência das respostas imediatas e transitórias do capitalismo, da globalização e do mercado de consumo, é preciso considerar a voz da razão que nasce dos ecos da deusa Minerva (Athena em grego) cujo mascote é a Coruja (seu animal doméstico de criação), que acompanha a deusa Athena(Αθηνά) ou Palas Athená, deusa da sabedoria e da justiça, filha do poderoso Zeus e Métis, deusa da prudência e a primeira esposa de Zeus, nos seus caminhos rumo ao vôo determinado em busca do Conhecimento.

As aves como a Coruja são os seres mais próximos dos céus, sendo assim, mais próximos dos deuses. Uma criatura previdente e prudente, representante da sabedoria, que é símbolo que representa a filosofia (do grego, filia + sophia = amizade à sabedoria), numa procura investigativa sobre as coisas a sua volta esperando entre os espaços escuros e incertos como o futuroso mês de novembro que os resultados nasçam não das notícias "prontas" dos jornais nas páginas policiais ou dos casos nervosos do cenário político, mas que resultem da paciência do ser que procura pensar sobre o mundo, cujo maior dos mestres é o divino tempo nosso maior educador.

Sendo o papel da filosofia elucidar o que não é claro ao senso comum, alertando acerca dos dilemas da vida, a figura da Coruja representa o ícone do ser, que com paciência aprende na escuridão da noite a perceber cada minuto como uma lição. Neste caso, o crepúsculo é o linear do dia para a Coruja, enquanto cessamos nossas obras e nos recolhemos em nossos lares, a Coruja “alça seu vôo” rumo às lutas da noite. É a noite que a fascina, por isso seu nome em latim: Noctua, “ave da noite”, que representa toda a paciência, a prudência e a previdência (diante das noites de novembro) da filosofia que nos ensina a viver os dias que nos aproximam do novo tempo.

Bons ares para novembro!