domingo, 18 de abril de 2010

Temps bref (contre le travail infantile)





















Hoje acabei resolvendo postar um outro pequeno poema de minha autoria, desta vez sobre a condição da infância interrompida, que adaptei para pensar sobre a lógica do sistema capitalista que propõe a "acumulação de capital flutuante" que não salvaguarda direitos e nem a dignidade da pessoa humana, muito menos dos infantes e adolescentes, como, por exemplo, com a inserção destes no trabalho (infantil) precário. Ao pensar sobre as dinâmicas contemporâneas da ameaça capitalista ao reconhecimento dos direitos sociais, objeto de minha pesquisa no doutorado, trouxe aqui um dos meus arquivos do "The book of life and other stories" para servir de mote numa reflexão escondida nas entrelinhas do processo de modernização da sociedade contemporânea:


Chorar, cantar, pular,
sorrir, brincar,
isto é o tempo,
é um vento.

É o palpitar de emoções
é a alegria das canções
que tudo desliza
até agoniza,
mas até me diviniza.

Por breve é o tempo,
mas leve é o vento
é a criança que corre
é a vida que morre.

(Marcelo Eµfrasıø)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Operário em Construção

Para nossas travessias do pensar uma poesia de Vinicius de Morais do livro "Nossa Senhora de Paris" que propõe uma leitura do operário a partir de sua auto-reflexão, principalmente ao se descobrir enquanto agente transformador dos espaços sociais na construção da historicidade do sujeito frente as relações do trabalho:


E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. (Lucas, Cap. V, vs. 5-8).

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

sábado, 10 de abril de 2010

História da Violência entre os olhares sociológicos e filosóficos do Direito




Para quem tem interesse em entender a questão da violência a partir dos conflitos sociais e dos elementos institucionais, bem como a luz das experiências que nasceram da historicidade (dialética) este livro é voltado a discutir o problema da violência a luz da culturologia jurídica, podendo ser comprado com o próprio autor ou na livraria da EDUEP (Reitoria da UEPB – Bodocongó – Campina Grande – PB) – Preço: R$ 20,00


Reportagem do JPB sobre violência em Campina Grande em que sou entrevistado, divulgando o livro "História do Direito e da Violência" -
Link da reportagem: http://jpb2.paraiba.tv.br/index.php?ev=1&d=2009-11-25 (Procurar a matéria "Violência contra jovens")

Divulgação da venda do livro no site da Associação Brasileira de Editoras Universitárias - ABEU
http://www.abeu.org.br/detalhe_livro.php?id_livro=6114&id_editora=91

Políticas Públicas em Campina Grande - PB





Para quem tem interesse em estudar a realidade das Políticas Públicas em Campina Grande - PB uma excelente oportunidade é ler (e comprar) a publicação "Práticas de Políticas Públicas" que organizei em 2008, se trata de uma amostra sólida da riqueza da perspectiva interdisciplinar onde se promove um debate acerca das diferentes políticas governamentais brasileiras numa representação de diversas áreas da disciplinaridade, oferecendo condições para uma reflexão acerca de questões como a garantia dos direitos das vítimas de abuso sexual intrafamiliar, a prestação jurisdicional aos carentes e o desemprego, bem como os aspectos psicossociais do atendimento no SINE e a luta pelo respeito aos idosos e aposentados.

Quem tiver interesse pode adquiri-lo na livraria da EDUEP (Reitoria da UEPB – Bodocongó – Campina Grande – PB) ou com o próprio autor. Preço: R$ 20,00.