segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Parada (mudança) entre 2013/2014

Parada (mudança) entre 2013/2014


Apesar das adversidades e dos fenômenos controversos encontrados nesta Era de profundas mudanças vivenciada por todos nós, é preciso não perder as esperanças em uma vida feliz. Conforme o poeta e filósofo francês Jacques Prévert: "É preciso tentar ser feliz, nem que seja apenas para dar o exemplo".

Antes de criar expectativas em relação ao Ano Novo, vale a pena assistir e introjectar a mensagem acima como reflexão para 2014!

FELIZ ANO NOVO! 


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Do Welfare State à busca pela felicidade: o sonho de um Natal Feliz






O livro que ganhei de minha cunhada e de seu esposo no último mês de outubro, intitulado FELICIDADE, de autoria do sociólogo dinamarquês Bent Greve é uma excelente obra para leitura e reflexão sobre a sociedade de consumo, principalmente em função de sua tese central remeter-se acerca da compreensão do conceito de "felicidade", a luz de um certo saudosismo pela intervenção do poder governamental na elaboração de políticas públicas eficazes nas sociedades contemporâneas.

Numa época em que o capitalismo global não prima pelo modelo do Welfare State, como motor da tutela das necessidades sociais da população, nem nos países centrais e nem muito menos nos países periféricos, o sociólogo Greve levanta um debate sobre o modelo de sociedade que eclodiu a partir do crack de 2008, que apareceu associado às crises cíclicas do capitalismo, aos fenômenos como individualismo, desemprego, insegurança, esfacelamento dos valores, crises institucionais etc.

Na busca pelo paradigma ideal de "felicidade" para as sociedades contemporâneas, mesmo diante da complexidade de identificação de um modelo de felicidade individual, são apontados elementos importantes para identificá-la, renda, confiabilidade no governo, segurança, saúde e relacionamentos pessoais sólidos são fatores importantes para considerar, mas também inúmeros elementos subjetivos ajudam a compor a inexplicável equação da felicidade. Assim, a felicidade coletiva e individual não deve restringir-se ao Produto Interno Bruto - PIB como mediador da felicidade (equação da sociedade capitalista), pois segundo aquele sociólogo esse caminho de mensuração se mostra ineficiente. É preciso considerar vários outros subsídios para estabelecer um paradigma saudável e harmônico, que estão relacionados a alguns elementos subjetivos do cotidiano que podem ser vivenciados alternativamente, como, por exemplo: "o incremento do autoconhecimento, a possibilidade de se fazer trabalho voluntário, a simples visão de mais policiais na rua e até mesmo o sentimento de pertencer a uma massa, mesmo que seja a dos desempregados, todos esses elementos podem levar o individuo a se sentir mais feliz" (GREVE, 2013, p. 37).

Com foco nos contextos da Europa e nos Estados Unidos, a obra examina como o conceito de felicidade pode contribuir para a compreensão de aspectos centrais da sociedade atual, investigando desde questões relacionadas à análise do Estado do bem estar social até o cotidiano das pessoas. Ao propor diferentes abordagens sobre a categorização e os usos acerca do conceito de felicidade, Greve tem por objetivo oferecer subsídios para uma melhor compreensão sobre as situações que envolvem o termo em questão, principalmente quando tem impactado nas sociedades os motivos que tornam as experiências de vida boas oportunidades para se viver feliz.

Defende Greve (2013) que a felicidade pode se relacionar ao desejo de consumo, isto é, economicamente quando o ter faz sentido para tudo, ou ainda e mais amplamente quando associado a essência do ser, que pode está relacionado com os desejos subjetivos e o estado de espírito de uma pessoa, um momento ou diferentes momentos da vida, que podem repercutir pela vida toda.




Neste caso, é preciso garantir uma melhoria substancial dos usos e interpretações acerca do nível de felicidade, conforme defende:


"[...] Bem estar pode ser descrito como possuir riqueza econômica suficiente, o que torna possível a aquisição de uma vasta variedade de bens e serviços. Bem estar, nesse sentido, tem principalmente um fundo econômico, baseado na ideia de que o benefício que indivíduos retiram de um bem ou serviço é crucial para se entender o que é bem-estar. [...] No entanto, felicidade pode ser entendida , então, como um termo amplo que é experimentado individualmente e tem fundamento, mas que, a partir das experiências é certamente possível medi-lo e alcançar um claro entendimento dele, mesmo no nível da comunidade. Felicidade é, portanto, definida como a percepção que cada pessoa tem de sua vida no passado e no presente e de suas expectativas para o futuro. Há diferença entre o momento de felicidade (por exemplo, ganhar na loteria) e uma felicidade mais duradoura. [...] A felicidade varia no decorrer da vida, e um momento de felicidade pode ser importante para se compreender a vida toda" (GREVE, 2013, p. 68-69;76).


E acrescenta:


"Um alto nível de felicidade para indivíduos e também grupos de pessoas é visto como ideal para se tentar alcançar uma boa sociedade. A boa sociedade é também uma comunidade feliz, e podem-se buscar ações públicas que propiciem alcançar e continuar alcançando uma sociedade feliz, ou ainda mais feliz.


[...] mesmo que uma pessoa tenha sofrido um acidente, ficado doente ou perdido o cônjuge [...] é possível retornar ao nível anterior, ou pelo menos próximo dele, e também refletir sobre a felicidade no decorrer da vida" (GREVE, 2013, p. 179;183).

Numa época atual do ano em que a cultura cristã se aflora mediante o carisma, a fraternidade e a religiosidade, inspirados pela natividade cristã, as reflexões de Bent Greve são oportunas no sentido de provocar os leitores para buscar a médio e longo prazos um modelo de sociedade mais humanista, principalmente ao pensar diferentes aspectos relacionados à felicidade, seja na busca por uma qualidade de vida saudável (exorcizando "o viver para trabalhar" cujo objetivo é o consumismo desenfreado), ou ainda substituindo o valor do ter pela essência do ser ("trabalhar para viver").

Desejo a todos os amigos (as) um verdadeiro Natal de/com muitas experiências felizes, e que esta reflexão inspire cada dia do Novo Ano, principalmente nos distanciando das lições efêmeras.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Sobre a violência urbana em Campina Grande, o passado não ilumina o presente!





Sobre a violência urbana em Campina Grande-PB, o passado não se repete. Se nos últimos meses o cenário urbano das cidades paraibanas, particularmente a Rainha da Borborema tem sido perpassado por um conjunto de atividades criminosas que assolam a população campinense, e diametralmente a vítima em potencial tem sido a classe média, devemos lembrar que tal problemática ligada a violência urbana já ocorria nas periferias e bairros distantes da região central da cidade, em decorrência do tráfico de drogas e de uma série de atividades delituosas praticadas por marginais milicianos da periferia, como o toque de recolher, assaltos a ônibus, assassinatos e roubos "só" assolavam e traziam medo aos indivíduos postos à margem da sociedade, nas periferias, o problema da violência ainda não era de utilidade pública e nem "epidemia social" na capital do forró.



Arrastões, assaltos, ameaças, assassinatos (até a última sexta-feira 13 de dezembro, as estatísticas contavam 174 homicídios na cidade), medo e incertezas, um conjunto de ações criminosas que geraram o terror e o confinamento de famílias em suas residências passou a atingir diferentes camadas sociais. Induzidos pelo vício das drogas e pelo desejo de subtrair os bens do outro, os criminosos experimentaram invadir a "cidade", esta não oferecendo resistência, abriu suas portas para a criminalidade sem precedentes. Diante da omissão do aparelho coercitivo do Estado, da ausência de políticas governamentais de segurança pública, de melhoria da qualidade de vida da população carente, da carência de um aparelho estatal cidadão e democrático, a própria sociedade procura responder com diferentes inconformismos, com ignorância, saudosismo, "apologia ao crime" (fazer justiça com as próprias mãos), mercantilização do protesto silencioso (vender camisas em prol do saudosismo da classe média que deseja a paz novamente) entre outras tantas correntes e bandeiras proclamadas nas praças timidamente ou nas redes sociais.



É louvável a indignação, o inconformismo e o desejo veemente de um aparelho governamental que ofereça condições do cidadão comum ir e vir, ter segurança, mas algumas posturas do individuo emotivamente influenciado e inconformado com o cenário atual não merecem crédito, principalmente numa sociedade que se arvora do direito de intitular-se democraticamente "consolidada". Aos que têm saudosismo ou que reivindicam pelo sabor da ignorância o retorno de um tipo de grupo de extermínio nos moldes do MÃO BRANCA, lembrem-se que numa sociedade que busca o justo, o bom senso deve prevalecer intrinsecamente como condição de caráter, como defendeu o filósofo Aristóteles, na sua Ética à Nicômaco "disposição de caráter que torna as pessoas propensas a fazer o que é justo, que as faz agir justamente e a desejar o que é justo". Afinal, aos que condenam sem um justo julgamento ou almejam "fazer justiça com as próprias mãos" nesta causa diria Jesus: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34).



O documentário abaixo ilustra aspectos do real sentido deste Grupo de Extermínio que existiu em Campina Grande entre 1978 e 1982, o Mão Branca não é um movimento armado típico do contexto atual, por isso, aos saudosistas vale lembrá-los que a historicidade não se repete nos mesmos termos e conjunturas atuais. Os milicianos de hoje não se alimentam do sentimento de "caudilhismo travestido do manto da justiça", mas de um conjunto de interesses difusos. Afinal, o tráfico de drogas de hoje em Campina Grande não é o mesmo da década de 1980, nem o policial naquela época fazia "bico" como segurança particular ou como moto taxi para complementar sua renda. Influenciado pelos grupos de extermínio das décadas de 1960-1970 do eixo Rio - São Paulo, o Mão Branca aparece historicamente marcado pela ideologia da Segurança Nacional, normativamente sob os auspícios do Decreto-Lei de 1969, vigente durante o período ditatorial, pelo qual as polícias adquiriram competência para executar "os suspeitos e os criminosos" com exclusividade, sem a práxis do princípio do contraditório e da ampla defesa (audiatur et altera pars, isto é, “ouça-se também a outra parte” - Art. 5° LV da Constituição Federal de 1988).


Essa "legalização" de fazer justiça com as próprias mãos, remete a criação dos decretos de promoção por bravura na Polícia Militar, bem como na política da Política Civil a partir de 1964. Leia-se à época: "matar bandido merece condecoração/promoção". A violência criminal acabou justificando ou influenciando a criação dos esquadrões da morte na Polícia Civil no final da década de 1960 e décadas seguintes. O saudosismo de parte da população para o retorno de esquadrões da morte, como forma de "limpeza criminal" é evidencia do vazio político sobre temas estruturais, os quais ainda são subsidiados por políticas de governo metamorfoseados de proselitismo.


 Documentário que instiga a reflexão sobre o MÃO BRANCA: http://vimeo.com/67347909