sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A DIFÍCIL ARTE DE SE LIBERTAR DO FACEBOOK

Usualmente as redes sociais, como, por exemplo, a ferramenta "Facebook" tem encurtado distâncias, em grande medida agilizado a sociedade informacional, por outro lado, desperta curiosidades e outros sentimentos de quem anseia pela vigilância "da vida alheia", como se o ente do outro lado quisesse provocar seus "contatos virtuais" fazendo crer que a vida "pós-moderna" se resume a divulgar (publicidade) aquilo que se come, que se veste ou o registro do seu mais recente troféu. O lema atual, é proibido privar, é cafona ter privacidade, a publicidade deve se sacralizar. Será que em 2004 quando Mark Zuckerberg criou esta rede social vislumbrava tantas intempéries e intenções periféricas? Triste fim da humanidade para os contemporâneos, resumi-la ao frenético mundo virtual que se metamorfoseia em diferentes sentidos e vozes que desejam ver o gênero humano se reconhecer nas suas incontinências. Instigante e tentador se inserir no mundo virtual e em tempo real a partir do cotidiano e dos desejos não realizados, mostrando ao mundo que existimos, fazendo do nosso mundo um "reality show", inclusive nos fazendo pensar que nas redes sociais todos os indivíduos são reconhecidos, lembrados e se tornam importantes, mesmo que seja apenas virtualmente. A sociedade virtual está formando o indivíduo "escravo" de sua própria condição, que, neste caso, não vive, não ama e nem pensa, não dorme, não estuda, não lê, não constrói seu lazer, não é livre, logo não existe, apenas vegeta sob as luzes da ribalta virtual. Influenciado por uma rede de novos códigos cotidianamente, o individuo está condicionado ao "outro" que também está conectado, mesmo que este outro não tenha nome, não tenha rosto e não se identifique, mas lhe sacie a fome de "existir". Até as religiões se tornaram "escravas" deste pacto virtual, os santos estão todos de joelhos, quando o catecismo tem como ferramenta o marketing. "A existência que precede a essência", como teorizou o filósofo francês Jean-Paul Sartre, não é neste caso reconhecida integralmente. O problema é que o homem virtual "pós-moderno" não está condenado a ser livre, mas se tornar escravo de suas vaidades e da efemeridade. E busca reconhecer-se enquanto existente em relações que lhe distanciam do outro, desejando que o mundo virtual responda e informe aos outros conectados: "quem sou, como vivo, o que faço, como penso, com quem me relaciono, como me relaciono etc." Um problema que está no epicentro da transição entre moderno - "pós-moderno". Ao sujeito "conectado na sua rotina diária" que (ainda) não nasceu para ser livre, resta-lhe a prisão virtual sob as sutilezas de um novo panóptico, que impõe a vigilância sob os auspícios das ferramentas tecnológicas e comunicacionais, desbravando uma "sociedade disciplinar" aos moldes de uma vida "pós-moderna".