domingo, 20 de janeiro de 2013

O que o Brasil quer ser quando crescer?



Um livro interessante sobre a realidade educacional no Brasil, com seus devidos descontos é claro, mas expressivo nos dados apontados sobre essa problemática atual, é "O que o Brasil quer ser quando crescer?" do jornalista Gustavo loschpe.





Não se trata de uma obra acadêmica com os devidos fundamentos e rigor teórico-científicos, mas uma leitura crítica baseada em dados estatísticos e jornalísticos sobre a conjuntura política e educacional do ensino, dos professores e da escola no Brasil. 

Numa breve resenha da Revista Veja ficam as seguintes impressões sobre o texto: (com o cuidado merecido aos textos da impressa oficiosa) "No livro - que reúne 34 artigos publicados em VEJA entre 2006 e 2012 -, Ioschpe se vale de um arsenal de pesquisas e de uma argumentação coerente para desconstruir um a um os mitos que pairam como uma camisa de força sobre o ensino brasileiro. Um deles diz respeito à escassez de dinheiro para a educação - a raiz de nossos males, diria a esmagadora maioria. Pois os números apresentados por Ioschpe demonstram que o Brasil despende para a sala de aula quase tanto quanto o clube dos países mais desenvolvidos da OCDE (5,7% em relação ao PIB nós X 5,8% eles, se comparados os gastos públicos). Mas só se o investimento subir será possível dar o grande salto de que precisamos, muitos ainda insistiriam. Talvez não saibam que, mesmo quando países como China e Coreia do Sul se lançavam em sua exitosa corrida rumo à excelência, não excederam os atuais gastos brasileiros. E, ainda que o Brasil destine mais dinheiro à área, como está previsto, não há garantia de sucesso, alerta Ioschpe. Na última década, o país foi vice-campeão em aumento de recursos para a educação, mas continuou na rabeira do ensino. Os reajustes no salário dos professores tampouco se traduziram em avanços relevantes na sala de aula - nem mesmo nas escolas particulares. Um dos artigos expõe um dado que derruba a crença de que elas são um oásis de bom ensino: os alunos mais ricos do Brasil têm desempenho pior do que os mais pobres dos países que estão no topo.

Não há nada de mirabolante nem de tão dispendioso nas saídas sugeridas por Ioschpe. Trata-se, antes de tudo, de uma mudança de mentalidade - a começar pelos cursos de pedagogia, que preferem perder-se em teorias obsoletas a ensinar aos futuros mestres estratégias para a sala de aula. A experiência internacional indica que os caminhos para o êxito acadêmico passam pelo mais básico: metas de aprendizado, dever de casa, meritocracia. Foi assim que a China alçou seus alunos ao pódio da educação mundial, como mostra um capítulo em que Ioschpe conta o que viu em sua investigação in loco".

Confesso que não é um livro que deva ser um dos marcos referenciais de um trabalho acadêmico, todavia é rico em informações e comparações para entender a conjuntura educacional de boa parte dos países, a exemplo do Brasil, que não elegeram a equidade nas dimensões mais importantes da vida social como prioridades. Sua leitura, no entanto, é agradável e leve, própria de um texto jornalístico e informativo. 

Conforme venho expressando a partir de minhas leituras e pesquisas para meus textos da tese, a educação no Brasil se constituiu num processo tardio e marginal, por uma série de questões, como, por exemplo, as políticas públicas educacionais direcionadas à juventude, mais particularmente no contexto da relação entre trabalho e educação, nunca tiveram um caráter emancipatório no sentido de propor uma formação integral, que não estivesse apenas direcionado a oferecer formas precárias de inserção destes no mercado de trabalho. A educação (formal) no país procurou até a metade do século XX responder as necessidades eleitorais (acesso ao voto) e de trabalho (precário) na sociedade fabril que se iniciava. E numa conjuntura não muito distante após o processo de redemocratização as políticas governamentais passaram a inserir medidas políticas e educacionais em função de um quadro social de altas taxas de desemprego juvenil e de precariedade das ocupações produtivas atualmente disponíveis para os jovens. Ou seja, tem predominado oficialmente uma educação compensatória que predomina como meta a "aceleração do ensino básico" para aqueles que não tiveram oportunidade  de estudar na época devida e precisam de inserção na lógica da empregabilidade (formal ou informal), o que tem reproduzido um ciclo vicioso no processo político e educacional em função da preocupação por parte do Governo e da sociedade civil em reproduzir a funcionalidade do quantitativo de certificados e diplomas de qualidade duvidosa. Como se a formação educacional de um indivíduo se resumisse única e exclusivamente a um certificado de ensino básico ou superior, desprovido de todo capital cultural que a família, os meios de comunicação, as formas de entretenimento e as relações de sociabilidade insistem em não promover suficientemente. 

Se há uma tese pelo fim do trabalho, há uma outra pelo fim da educação integral. 

Ou como profetizou o sociólogo francês Bourdieu "[...] não basta ter por fim a democratização real do ensino. Na ausência de uma pedagogia racional capaz de neutralizar metódica e continuamente, da escola maternal à universidade, a ação dos fatores sociais de desigualdade cultural, a vontade política de dar a todos chances iguais diante do ensino só consegue triunfar sobre a desigualdade caso se arme de todos os meios institucionais e econômicos" (Les Héritiers: les étudiants et la culture. Paris: Les Éditions de Minuit, 1985. p. 114). 



Apresentação do livro baseado em vídeo: http://veja.abril.com.br/blog/imperdivel/livros/o-que-o-brasil-quer-ser-quando-crescer/

Aqui um dos textos encontrados no livro sobre a experiência educacional chinesa, sem muito investimentos, mas que tem trazido bons resultados nos últimos anos: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/o-que-o-brasil-quer-ser-quando-crescer


domingo, 6 de janeiro de 2013

Pra dizer sim à vida!


"Copo vazio nas mãos quando a água faltar
Águas que invadem a terra buscando um lugar
Verde que o fogo avermelha tornando cinza o chão
Guarás, flores, suçuaranas, a vida em extinção
Vozes vão interpretar uma nova canção
Canção que derrame na terra sementes de paz
Que seja capaz de alterar e mudar a direção
Dos ventos que trazem a sombra
Que assusta e ofusca a criação
Pra dizer sim à vida
Nós juntamos nosso canto
Convidamos outros tantos
Pra que a voz a este clamor possam emprestar
Pra dizer sim à vida
Não importa quem sejamos
Só importa o que buscamos
A herança que aos filhos vai ficar
Pra dizer sim à vida
Pra fazer tudo de novo
Pois a dor que dói no mundo
Já não pode esperar
Pra dizer sim à vida
Sim ao novo que virá
O motivo que nos move
E faz a voz não se cansar
Pra dizer sim à vida
Nós cruzamos as fronteiras
Nos tornamos iguais
Pra dizer sim à vida"  (Sim à Vida -  Pe. Fábio de Melo)