terça-feira, 30 de abril de 2013

E quando "deus está morto" na pós-modernidade





Decisão como esta do egrégio Tribunal de Justiça da Paraíba (ver notícia acima), remete as mudanças frenéticas que as formas de conceber o mundo moderno vem passado. A questão não é ser favorável ou contrário a união estável e/ou oficialização do casamento civil de pessoas do mesmo sexo, afinal o debate é polêmico e multifacetado. A questão se volta às transformações em ternos (pós) estruturais que as sociedades ocidentalizadas vem passado e que não estão dissociadas de valores e condutas morais concebidas desde o século XVI, passando a se redefinir gradativamente nos últimos séculos.

Presságios do fim dos tempos, também não. Na verdade, refere-se ao contexto do mundo moderno ou da racionalidade iluminista que concebeu as formas de moralidade que agora estão passando por uma "crise". Se na modernidade "deus" foi substituído pela razão, em termos científico-tecnológicos etc. Agora a razão se volta a uma nova instrumentalização. Nestes tempos, a fé novamente é ameaçada, não mais pela razão moderna. Nem o papa Bento XVI escapou das profecias do racionalismo made in pensamento nietzscheano. Afinal, desde 1882, na sua obra “A Gaia da Ciência” Nietzsche já tinha profetizado que “deus está morto”. Aliás sua profecia agora passa a ser revisitada como fórmula para entender as novas dinâmicas do século XXI, novas transformações virão para provocar os homens e as instituições.


Assim profetizou Nietzsche:

“O homem louco- ‘Não ouvistes falar daquele homem louco que, em plena manhã clara, acendeu o candeeiro, correu para o mercado e gritava incessantemente: Estou procurando Deus! Então como lá se reunissem justamente muitos daqueles que não acreditavam em Deus, provocou ele então grande gargalhada (...). O homem louco saltou em meio a eles e disse: nós o matamos, vós e eu! (...) Não sentimos o cheiro da putrefação divina? – também os deuses apodrecem! Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos! A grandeza desse feito não é demasiadamente grande para nós? Não teríamos que nos tronar, nós próprios, deuses, para apenas parecer dignos dele? ’” (In. _____. A Gaia da Ciência” (1882). Aforismo 125)