segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O "Fantástico" show da vida!?









De tantas formas de expressar o poder e controle sobre as (in)consciências humanas, a mídia não tem perdoado, imaginem que passando uma hora e meia de frente a tevê neste último domingo me deparei com tantos discursos que revelam aquilo que Michel Foucault chamou de "Micropoderes", exercitados principalmente por meio de discursos.


Como afirmou o filósofo Michel Foucault em sua obra História da Sexualidade, volume I, sobre o poder:


"Dizendo poder, não quero significar ‘o poder’, como um conjunto de instituições e aparelhos garantidores da sujeição dos cidadãos em um estado determinado. Também não entendo poder como um modo de sujeição que, por oposição à violência, tenha a forma de regra. Enfim, não o entendo como um sistema geral de dominação exercida por um elemento ou grupo sobre o outro e cujos efeitos, por derivações sucessivas, atravessem o corpo social inteiro. A análise em termos de poder não deve postular, como dados iniciais, a soberania do Estado, a forma da lei ou a unidade global de uma dominação; estas são apenas e, antes de mais nada, suas formas terminais. Parece-me que se deve compreender o poder, primeiro, como a multiplicidade de correlações de forças imanentes ao domínio onde se exercem e constitutivas de sua organização; o jogo que, através de lutas e afrontamentos incessantes as transforma, reforça, inverte; os apoios que tais correlações de força encontram umas nas outras, formando cadeias ou sistemas ou ao contrário, as defasagens e contradições que as isolam entre si; enfim, as estratégias em que se originam e cujo esboço geral ou cristalização institucional toma corpo nos aparelhos estatais, na formulação da lei, nas hegemonias sociais." (FOUCAULT, 1993, p. 88-89).


Tirem suas próprias conclusões após uma breve reflexão sobre estes discursos:

Já em clima de "carnaval" a Globo vendeu ontem no Fantástico o discurso do axé mercadologicamente correto (nada contra o autêntico "carvanis"), depois disso, tive a certeza que continua valendo a pena não ver a Globo nem nos domingos. Afinal, ainda me pergunto, o que essa mulher quis trazer ontem neste quadro do Fantástico "O que vi da vida"? Não há concatenação de idéias e nem idéias. O que é pior "valores" equivocados, por exemplo, sobre maternidade (parecia que estávamos vendo um depoimento da Roma pagã de uma mulher patrícia em pleno séc. I d.C., cujo interesse se resume ao patrimonialismo). Não acredito que a Globo vê nisso algo "Fantástico".
A Globo e suas microfísicas de poder!


As tevês abertas noticiaram esta semana passada:

"Em doze dias de greve no Estado da Bahia, foram assassinadas 130 pessoas, o maior número se encontra na capital".

Não esqueçamos que a cidade de Salvador é uma das campeãs do Nordeste em índice de violência urbana e de desemprego (formal), seguido de Recife e Maceió, aliás as duas condições estão intimamente associadas (violência e desemprego). Desse modo, não é com a greve de policiais que se intensificaram os homicídios na cidade, mas a omissão do Estado e da sociedade civil e mais o desarranjo estrutural do sistema em que o Nordeste e as capitais se encontram que proporcionou essa situação dramática. A desculpa de indicar o "número de homicídios durante a greve" era para tirar a culpa do Estado e acusar os policiais. Reparem o índice de homicídios hoje e amanhã em Salvador, por exemplo, eles continuam, não acabarão com o fim da greve. É questão estrutural, que a tevê deturpa.

Nem vou aqui falar sobre o BBB, pois todos nós temos inúmeros adjetivos para aquele que é um faz de conta da vida real.

Fiquemos de olhos bem abertos diante da opinião pública e da mídia, pois elas andam fazendo a cabeça de muitos brasileiros!